‘Tô suave… tenho dinheiro e advogado’, diz uma das suspeitas de participar de tortura a adolescente

A Polícia Civil teve acesso a prints de conversas de WhatsApp

A Polícia Civil teve acesso a prints de conversas de WhatsApp em que suspeitas conversam logo após a sessão de tortura a uma menina de 16 anos, em Campo Grande. Em um dos trechos, uma adolescente de 17 anos comenta que era para a vítima para morta e que acredita na impunidade.

“Era pra ela tá morta, mais as outras mina q tava cmg n deixo Eu mata”, escreveu. “Mais quem torturo foi eu.”

Em seguida, uma amiga dela pergunta se ela foi para a Unidade Educacional de Internação (Unei), para onde são encaminhados adolescentes que praticam atos infracionais. A suspeita, então, responde que “somente assinou papéis”.

“N po…To suave tenho dinheiro adevogado.”

Uma das suspeitas de tortura acredita na impunidade em MS — Foto: Reprodução/TV Morena

Uma das suspeitas de tortura acredita na impunidade em MS — Foto: Reprodução/TV Morena

Em entrevista à TV Morena, a vítima falou sobre momentos de terror que passou ao lado das suspeitas.

O caso ocorreu no início desta semana, em uma casa no bairro Guanandi, região sul de Campo Grande. Além de ser agredida com socos e pontapés por duas horas e meia, a vítima teve o corpo cortado com faca e foi obrigada a ligar para o ex da suspeita, dizendo que não queria mais nada com ele, ainda conforme a polícia.

“Elas falavam assim: ‘Pega a corda, pega a corda, vamos amarrar ela’. Vamos levar ela para outro lugar’. Eu fiquei com medo de morrer. Elas diziam que estavam esperando uma arma. Não conseguia me olhar no espelho. Ontem eu olhei e comecei a chorar”, disse.

Ao G1, o delegado Fábio Sampaio, responsável pelas investigações, disse que quatro pessoas prestaram depoimento, entre elas duas das agressoras, que confessaram o crime.

“Uma delas confirmou as agressões e falou que tinha uma desavença anterior, já que ela e a vítima eram amigas, depois se desentenderam e a adolescente teria passado a ameaçá-la”, explicou o delegado.

“A suspeita de 18 anos é a dona da casa onde tudo ocorreu e ela teria obrigado a menina a entrar em contato com o ex, dizendo que não queria mais nada com ele. Já a outra adolescente ainda não conseguimos trazer na delegacia.”

Vítima de tortura comenta agressões durante 2h30 em MS — Foto: Reprodução/TV Morena

Vítima de tortura comenta agressões durante 2h30 em MS — Foto: Reprodução/TV Morena

Ainda conforme Sampaio, a vítima teria se relacionado com o ex da suspeita de 18 anos.

“Para se vingar, juntamente com as outras, elas teriam planejado o crime. Elas vão responder pelo artigo do ECA [Estatudo da Criança e o Adolescente], que é constranger com violência e grave ameaça, principalmente pelo fato delas obrigarem a menina a ligar para o ex”, disse o delegado.

Além das ameaças, a menina também recebeu socos e pontapés. “A investigação aponta que elas usaram a faca e, até por isso, a menina foi internada. Elas está com lesões nos braço e costas. O próximo passo é ouvir o motorista do Uber, que levou a vítima até a casa de uma delas, além do rapaz que seria o pivô da agressão e a vítima, que deve prestar novo depoimento. Ela também fará uma cirurgia no nariz e passará por novo exame de corpo de delito, onde será caracterizada a natureza da lesão corporal”, explicou Sampaio.

Entenda o caso

O caso ocorreu no início desta semana. De acordo com a irmã da vítima, ela ficou sabendo após receber prints das agressões de um grupo no WhatsApp chamado “As bandidas”.

Entre as conversas, uma das supostas agressoras escreveu: “Eu não deixei marca nenhuma, sou besta não… eu só bati nela, porque ela falou pra mim: ‘demorô'”. A irmã da adolescente comentou que ficou “muito preocupada” assim que começou a receber as mensagens.

“Ela saiu de casa às 6h30 [de MS], e estas meninas fizeram chamada de vídeo e outras pessoas que eu conheço mandaram os prints. Minha irmã ficou sendo torturada por 2h30 e fizeram imagens por chamada de vídeo também. Se eu não tivesse ido atrás, minha irmã poderia estar morta agora”, lamentou.

A adolescente foi internada na Santa Casa e teve alta médica, segundo a família.

Grupos nas redes sociais de supostas agressoras chamava "as bandidas", diz polícia — Foto: TV Morena/Reprodução

Grupos nas redes sociais de supostas agressoras chamava “as bandidas”, diz polícia — Foto: TV Morena/Reprodução

G1

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