Posição do PT e do PCdoB impacta aliança governista

COLIGAÇÃO PROPORCIONAL

Concluído o processo de filiações a partir da janela partidária, que teve início na semana passada e se dará até abril próximo, lideranças políticas estarão empenhadas na formatação de coligações que darão sustentabilidade às candidaturas para o pleito deste ano. Um dos principais problemas enfrentados pela base governista de Camilo Santana diz respeito justamente à legenda a que ele é filiado, o Partido dos Trabalhadores (PT), que pretende tomar um rumo diferente das demais legendas aliadas.

Enquanto quase todos os partidos que fazem parte da base de sustentação do petista trabalham com a possibilidade de formar uma coligação proporcional com todas as legendas aliadas, o PT defende estar isolado na disputa por vagas de deputado estadual e coligado na eleição para federal. A intenção da sigla não vem agradando aos demais presidentes partidários.

O presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, disse que a ideia é construir um palanque próprio para a disputa estadual. Segundo ele, se durante o processo houver qualquer barreira, o partido vai se preparar para estar isolado em toda a disputa proporcional.

Questionado sobre o ineditismo do que propõe o partido, uma vez que o eventual “cabeça de chapa”, o governador Camilo Santana, é filiado ao PT e estaria sem sua legenda na coligação proporcional, De Assis Diniz sustentou que o que o partido não quer é ter votos suficientes para eleger uma bancada de quatro ou cinco deputados e ficar apenas com dois. “Mas vamos conversar e muito. E vamos estar, sim, na chapa majoritária”.

Também membro do PT, o secretário chefe da Casa Civil, Nelson Martins, destacou que continua trabalhando para que a sigla participe da coligação governista para deputado estadual e federal. Ele também disse esperar que o PCdoB, que já sinalizou a possibilidade de ir sozinho para a disputa, também esteja na coligação geral.

“A tendência é que ambos participem da coligação geral, sem dúvida. Mas existem alguns deputados que podem estar com mais dificuldades do ponto de vista eleitoral, porque a coligação ampla requer muitos votos”, citou. De acordo com os cálculos feitos por parlamentares, quem participar do chamado “blocão” precisa ter, pelo menos, 40 mil votos, o que poderia inviabilizar algumas candidaturas.

Ao menos 12 deputados foram eleitos para esta legislatura com menos de 40 mil votos: Joaquim Noronha (38.751), Carlomano Marques (37.422), Walter Cavalcante (33.094) e Bethrose (31.666), além de Carlos Matos (29.036), Carlos Felipe (28.881), Audic Mota (28.509), Bruno Pedrosa (27.793), Ferreira Aragão (27.607), Tomaz Holanda (25.875), Zé Ailton Brasil (25.401) e Julinho (23.624).

Alternativas

Nelson Martins afirmou que, apesar de a ideia inicial apontar para a construção de um grande bloco envolvendo todos os aliados, não há problemas em trabalhar outras alternativas de coligações. “Se formar duas coligações é possível contemplar todo mundo. Nosso objetivo é ter um apoio forte para o Camilo e nossos senadores, em nível federal, bem como contemplar uma bancada de apoio na Assembleia, que seja grande e forte”.

Já o deputado Osmar Baquit (PSD), que deve se filiar ao PDT no próximo dia 23, disse acreditar que, apesar das posições de lideranças do PT e PCdoB, o governador Camilo Santana deve contornar a situação.

Para o presidente estadual do PCdoB, Luiz Carlos Paes, uma das melhores alternativas é a construção de chapa própria para deputado federal e estadual ou coligação de partidos com o mesmo potencial de votos que a legenda tem. “Essas são as duas melhores alternativas. O ‘chapão’ não é bom, embora não possa ser descartado. Estamos trabalhando em duas hipóteses principais, sem desconsiderar qualquer outra”, defendeu.

Diário do Nordeste

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